O Sal da Terra! – por Rosana Serena

Sobre o filme, destaca-se o homem! O que nos dizem o olhar de Sebastião Salgado pode ser apreendido através de sua impressionante obra artística. Sobre a obra nada há a dizer apenas sideralmente contemplar! Do documentário ressalta o homem mesmo que não houvesse sido essa a intenção. Ele surge majestoso e imponente em sua humildade, destacando-se sobre o cenário, destacando-se com o mesmo esplendor de sua própria obra! Sua figura escultórica, quase que fantasmagoricamente emergida, ora sobre um fundo negro sem horizontes, ora entre véus de imagens de sua própria obra, impressiona tal como nos impressionaria a fala sobrenatural de um faraó egípcio, divindade e homem em harmonia. A fala mansa, contida, quase engolida e recuada assim como que...

O Planeta Melancholia – por Rosana Serena

O tempo estagnado se cristaliza numa imagem fotográfica de uma beleza angustiante onde somos capturados desde a primeira cena numa suspensão emocional indefinível, talvez, de uma certa sensação psíquica de sufocamento transcendental. Algo terrível está por vir, sem sabermos o que!… O prólogo anuncia o impacto da obra, imagens de desmantelamento de aves mortas, cavalo que arria, se apresentam em uma sequência de um suposto non-sense onde Justine flutua presa a raízes. Nesse estado de sublevação ansiosa onde estamos apreendidos, somos conduzidos pela trilha sonora de Wagner ao drama que se apresenta em dois atos: 1-      Justine No primeiro ato, Justine, segue com o noivo para o castelo de sua irmã e cunhado em alguma bucólica região...

Santiago- por Rosana Serena

O documentário Um documentário classificado na teoria como performático de João Moreira Salles, impressiona!Correto e de qualidade do ponto de vista de estética própria de um documentário, impressiona muito mais pela história que revela. Contundente, comovente a história de um homem erudito que passa sua vida a servir uma família. Santiago é o nome do filme e do personagem. Este poliglota que falava e escrevia em seis línguas era um erudito, que rezava em latim e tocava Beethoven ao piano solenemente vestido de fraque. Fascinado pela nobreza e suas histórias e conspirações de corte pesquisava e escrevia com a qualidade literária suas impressões que foram registradas em mais de trinta mil páginas. Santiago Badariotti Merlo (1912-1994), argentino...

Cidadão Kane: Uma Revolução Estética e Conceitual – Entrevista: Robertson Mayrink

Robertson Mayrink é publicitário, jornalista, especialista em Língua Portuguesa e mestre em Cinema pela UFMG. É professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplinas como “Criação Publicitária” e “Cinema e Vídeo”. Na área publicitária, Robertson já trabalhou em grandes agências de Belo Horizonte e mantém o blog Criação Publicitária, onde discute o tema sobre amplas perspectivas. Como cinéfilo que se considera, Robertson contou suas impressões e opiniões “Cidadão Kane”, o clássico da história do cinema. Quais são os principais aspectos técnicos e estéticos do filme? O principal aspecto técnico, que reflete esteticamente, é o uso elaborado e frequente da profundidade de campo. Orson...

Blue Jasmine’ é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo – por Luiz Carlos Merten

Em novo filme, cineasta volta à densidade da sua grande fase com a leveza da fase recente É o melhor filme de Woody Allen em muito tempo – desde a fase Mia Farrow? Ok, você pode ter se divertido com Meia-Noite em Paris, pode até ter visto certa densidade em Match Point – o remake alleniano disfarçado de Um Lugar ao Sol, de George Stevens –, mas há tempos que o autor não investia num retrato tão denso quanto ele traça agora de Blue Jasmine. O nome do filme é o da personagem de Cate Blanchett, e a atriz está excepcional, numa atuação de Oscar. Woody Allen tem garantido a estatueta da Academia de Hollywood a muitos de seus atores e atrizes (Diane Keaton, Dianne Wiest, Mira Sorvino, Penélope Cruz, Michael Caine). Será uma tremenda injustiça se...

Filme ‘Melancolia’ traz visão de Lars Von Trier sobre a vida

“Melancolia”, o novo trabalho do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, começa em ultra slow motion, num prelúdio do que acontecerá mais adiante. O resultado é um filme visualmente muito elaborado, com inspiração em pinturas pré-rafaelitas e alemãs, música de Beethoven (como a “Nona sinfonia”) e traduzindo a habitual visão niilista do diretor sobre a vida e as relações humanas. Não escapa nem o destino do planeta. Premiada em 2009 como melhor atriz no “Festival de Cannes” por “Anticristo”, a francesa Charlotte Gainsbourg retorna neste novo trabalho como Claire, uma das irmãs protagonistas da história. A outra é a norte-americana Kirsten Dunst, interpretando Justine. A atriz acabou vencendo, por sua...