Total Eclipse
Título Original: Total Eclipse – GRÃ BRETANHA – FRANÇA – BÉLGICA – 1995
Atores: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romance Bohringer
Diretor: Agnieszka Holland
Sinopse: Dirigido por Agnieszka Holland, a mesma diretora de Filhos da Guerra (distribuído na edição 16 da Revista do DVD), Eclipse de uma Paixão conta a história do revolucionário poeta francês Arthur Rimbaud, interpretado pelo astro Leonardo Di Caprio. Genial e intempestivo, “o poeta dos sentidos”, como ficou conhecido, revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo em que viveu apadrinhado por outro grande poeta, Paul Verlaine (o ótimo David Thewlis). E o ponto de partida do roteirista Christopher Hampton – ele próprio um estudioso da poesia de Rimbaud em Oxford – é justamente quando ambos se conhecem. Tudo começa quando o jovem Rimbaud, então um camponês de apenas 16 anos, envia seu “Soneto das Vogais” para Paul Verlaine, um renomado poeta de Paris. Encantado com o talento do jovem escritor, Verlaine o convida para a capital, disposto a apresentá-lo à elite dos escritores franceses nos concorridos saraus. Isso foi em 1871, logo após a derrota de Napoleão III para o exército prussiano e do malogro da Comuna de Paris, revolução fracassada de caráter socialista que emergiu em meio ao caos social da guerra. Rimbaud não era apenas um grande poeta. Era também um adolescente arrogante, convencido, inconseqüente e que revela traços de sadismo em suas atitudes. Acreditava que, para que sua poesia fosse a fiel expressão de seus sentidos, deveria estar aberto a todo tipo de experiência. Essa mistura explosiva de rebeldia e inteligência acabam despertando uma paixão avassaladora em Verlaine. E ambos iniciam um romance repleto de contradições. Há, por exemplo, o casamento de Verlaine com a bela Mathilde e o evidente conflito que uma relação homossexual provoca. Mas, principalmente, há o próprio temperamento de Verlaine, bem diferente do parceiro: ele é submisso, alcoólatra, masoquista e freqüentemente extravasa sua fraqueza em atos de violência.
PRODUÇÃO DESAFIADORA
O filme conta uma história explosiva, sobre um triângulo amoroso incomum e volátil, e sobre as vidas que ele consome. “É, sobretudo uma história de amor”, conta a diretora Agnieszka Holland. “Verlaine ama Rimbaud porque o considera absoluto, genial e poderoso. Rimbaud ama Verlaine porque acredita ter encontrado alguém com quem compartilhar sua busca da pureza”, explica. Por sua densidade, Eclipse de uma Paixão também representou um marco na carreira de Leonardo Di Caprio. “O papel de Rimbaud é um dos mais importantes da minha carreira, e um dos melhores papéis para um jovem ator, justamente pela dificuldade e pela ousadia necessária para representá-lo”, revela. Segundo o ator, Rimbaud era corajoso, não se importava com as conseqüências dos seus atos. “Passei a vida me preocupando com as conseqüências dos meus atos. Esse filme me ensinou a não me preocupar com o que os outros pensam sobre mim”, conclui. O experiente Davi Thewlis, cuja atuação em Naked (idem), de Mike Leigh, já lhe valera a Palma de Ouro do Festival de Cannes, concorda com seu parceiro de set. E não vê seu personagem como alguém simpático ao público, justamente pelo caráter brutal e possessivo da personalidade de Verlaine. “Aprendi, ao longo da minha carreira, que não preciso me identificar com a personalidade de meus personagens para fazer um bom trabalho. Às vezes isso até atrapalha”, conta. “O que sinto por Verlaine, na verdade, é uma certa compaixão, porque no fundo, ele é um homem fraco.” É justamente essa mistura explosiva de temperamentos entre os
personagens e seu intenso relacionamento que faz de Eclipse de uma Paixão um grande filme. Audacioso, provocativo e, sobretudo, corajoso.
Rimbaud, O Poeta
Todo o trabalho literário de Jean Nicholas Arthur Rimbaud, nascido em Charleville, nas Ardenas, na frança, em 1854, foi escrito durante seu relacionamento conturbado com Paul Verlaine, entre os 16 e os 20 anos. De Soneto das Vogais e outros poemas, que revelou seu talento ao já renomado poeta francês, à Iluminações, talvez seu trabalho mais representativo, Rimbaud deixou poemas expressivos, densos e surpreendentes, que lhe garantem destaque entre os grandes nomes da poesia mundial. Decidido a encerrar sua carreira de escritor, o jovem parte para uma vida de aventuras. Aprendeu alemão, árabe, hindu e russo, atravessou os alpes a pé, alistou-se e desertou do exército holandês. Tornou-se comerciante de café na África e dirigiu um entreposto comercial na Etiópia, onde suspostamente se envolveu com contrabando de armas. Só voltou à França para morrer, aos 37 anos, devido a um tumor no joelho. Conheça agora o poema Eternidade, com tradução
do poeta Augusto de Campos.
A Eternidade
De novo me invade.
Quem?
— A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
a noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem?
—A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.
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