Jasmine – por Rosana Serena
Pobre Jamine ricamente a se mostrar, nos mais nobres salões lindamente a rodopiar, e até seu nome próprio ela teve que idear!
E das exigências sociais não queria se livrar e por isso teve que de sua família de origem se afastar.
E era tanto o festar entre drinques e dançar que ela se sentia maravilhosamente se esgotar.
Estava tão à sociedade venerar que nem sequer havia espaço para uma verdadeira família formar.
E aquele seu marido cada vez mais ilicitamente a enricar.
E era tanto o seu deslumbramento que nada disso parecia lhe importar. Sentia-se como uma grande dama a quem todos deviam reverenciar.
Turvada pelo seu olhar à realidade a sua volta, a única que via era o centro, onde ela estava sempre a vicejar!
Sua qualidade consistente era de com seus olhos se voltar, lá para o lado para onde ela bem queria olhar.
Nossa Jasmine faz com isso uma negação, um fenômeno bastante conhecido em psicanálise como “mecanismo de defesa que falsificam a percepção interna do sujeito, fornecendo somente uma representação imperfeita e deformada” .1
“Os mecanismos de defesa fazem parte dos procedimentos utilizados pelo Eu (Ego) para desempenhar suas tarefas que em termos gerais consiste em evitar o perigo, a ansiedade e o desprazer.” 2
Jasmine é o mais novo filme de Woody Allen, e nossa personagem é um socialite nova-iorquina de Manhattan, cujo marido um escroque ela o denuncia à lei, por não poder mais se sustentar na relação que ele queria acabar. Se lhe ruía a fantasia que se destruísse todo o cenário!…
Mas Jasmine é quem mais perde, pois o que realmente se vê fraturar, é seu ego dividido entre a realidade e o que ela quer fazer no lugar desta, se concretizar.
E na cidade do interior com o apóio da irmã ela tenta se recuperar, mas para ela é impossível parar de devanear.
Perdida em si mesma, ela não consegue reencontrar um caminho, pois desde sempre havia decidido trilhar por aquele para o qual é sempre preciso para outro lado olhar; lá para aonde as verdades não se podem alcançar, lá para aonde a alienação tem seu lugar.
Pobre Jasmine, vestida ricamente a se mostrar nos pobres bairros a zonzear, sem poder na nova realidade se encaixar.
E assim, quase meio delirante ela continua a evitar o contato com a realidade que ela não pode suportar, mas a desconstrução de sua fantasia ela também não pode operar.
Sem perder a majestade e vestida de Chanel, em uma praça de um bairro, consigo mesma ela fala sem poder seu pensamento em uma lógica formalizar.
Pobre Jasmine assim acabar, bem no banco desta praça, bem sozinha a devanear!
Este filme é um bom retrato que permite vislumbrar tantas Jasmines, assim tão perdidas em seu próprio alienar!
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1-2 http://psicologado.com/abordagens/psicanalise/pagina-11 por Joviane Moura, publicado em 5 de setembro de 2008