O maior ato de amor – por Rosana Serena
Recebo uma mensagem em forma de apelo desesperado. Ela perdia para doença aquele a quem tanto amava!…
Havia passado horas intermináveis segurando aquelas mãos que dantes tão fortes foram! Nesse ato aflito tentava lhe segurar a vida! Essas mãos que entrelaçadas concretizavam diariamente um ato de amor intenso.
Havia passado horas inconsoláveis lhe amparando os passos que dantes foram fortes e seguros. Horas incansáveis lhe buscando conforto não encontrado entre travesseiros macios. Foram horas terríveis escutando seus delicados gemidos que lhe traduziam a dor e sangravam seu coração.
Nada na vida a havia preparado para isso!
E ela vergava sob sua própria fraqueza e se envergonhava disso. Queria fugir, mas era preciso seguir adiante conduzindo-lhe os lentos passos em direção ao fim. Queria correr, mas não tinha para onde ir a não ser neste caminho. Queria pedir ajuda, mas não encontrava a quem.
Sobretudo lhe chocava a indignidade da situação. Amargamente aprendera que nada é digno na doença, pois a dor lhe rouba qualquer traço.
Mas ele esperava seguir adiante mesmo que tudo apontasse o contrário. E escondida, ela largadamente chorava, diante dessa tão pueril esperança.
Fez-se forte! Não era para os fracos a tarefa de acompanhar alguém nesse trajeto. E na medida desses passos decididos crescia seu horror e seu amor.
Mas não bastava, era-lhe ainda exigido dar-lhe o consentimento de sua morte para que apaziguado, ele fosse em paz.
Situação extrema que exige o extremo de qualquer humano!
Ver o outro morrer, um outro a quem se ama e assisti-lo nessa trajetória traz uma exigência de superação humana.
Mas ainda não é bem disso tudo que se trata, sendo bem ainda mais triste o honor:
Ajudar o outro a morrer!
Ajudar o outro a morrer que é o maior ato de amor que existe!
Que este seu ato amoroso extremado te traga paz minha querida!
Que lindo mãe!
Cada dia q passa tenho mais orgulho de vc…
Vc é única, e esse seu dom de escrever a torna ainda mais especial!
Amo vc