Não posso te amar! – por Rosana Serena

Você me chamou e eu fingi que não ouvi…
Você me olhou e fingi que estava cega…
Virei às costas e sua imagem e voz foram comigo…
Fugi apressada de mim mesma, fugindo do meu amor por você ou certamente te verei novamente arrombando portas.
Você está como sempre tão carente tão confuso e suplicante que novamente quase me volto para te pegar no colo, querendo acreditar que dessa vez possa ser diferente, mas…
_ Não, não te verei novamente arrombando portas!
Lembro-me que em seus momentos de alegria você se faz lindo e fulgurante, mas sei que sua raiva súbita de sua destemperança emocional irromperá repetidamente em nossa existência familiar e porá nossas vidas de ponta cabeça e, portanto…
_ Não, não te verei novamente arrombando portas!
Sinto sua carência, e quase ofereço mais uma vez meu amor, mas meus atos de amor você transformará em grilhões, que você muito bem saberá prender no fundo de uma masmorra onde ficarei encarcerada, por isso…
_ Não, não te verei novamente arrombando portas!
Penso parar e falar, mas a lógica de meus argumentos, você as apanhará, inverterá e reverterá a seu favor, e tudo se misturará tanto que já não poderemos distinguir a verdade das coisas, portanto…
_ Não, não te verei novamente arrombando portas!
E segui em frente, deixei você para trás com a certeza de que era preciso. Não quero mais você em minha vida arrebatando portas e arrasando meu coração, e nossas vidas.
Mas como fugir de você, sem fugir de mim mesma? Como te renegar sem lograr, perder com você minha própria estória de vida? Impasse sem solução, pois certamente é perder um bom pedaço de minha vida.
Sei que em minha frouxidão amorosa você traiçoeiramente me apunhalaria com seus abusos emocionais, entretanto sei também que não suportaria vê-lo maltrapilho e andrajoso, jogado as ruas.
_ A você não!…Duplamente não, não posso dar as costas…
Ambígua metáfora que me aprisiona e congela meu coração! Gesto de entrega e absoluta confiança em que podemos baixar completamente a guarda ao outro e acolhe-lo em regaço; ou um gesto definitivo de desamor e absoluto abandono do outro e seu total rechaço Impedida desses atos, em qualquer termo, apenas fujo de você na medida em que renego e confirmo este afeto.
_ Não, não te verei novamente arrombando portas, mesmo que eu esteja atrás da porta, dolorosamente a chorar.
_ Perdemos os dois, você que ficou sem meu amor e eu que de mim, perdi um bom pedaço.
… E ele foi embora, carregando de mim para sempre, eu mesma!

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