Limite, de Mário Peixoto

Um filme à deriva (ou sobre como restar entre a impossibilidade e a soberania) Por Marina Moros * Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil 1 Giorgio Agamben (2008), no ensaio Che cos’è il contemporaneo? , diz que a contemporaneidade “é essa relação singular com o próprio tempo, que adere a ele, mas, ao mesmo tempo, toma distancia deste; mais específicamente, é essa relação com o tempo que adere a ele através de uma diferença e um anacronismo. Aqueles que coincidem completamente com a época, não são contemporâneos, pois, justamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter fixo seu olhar sobre ela”. Limite Limite [dir: Mário Peixoto, BR, 1931] é um filme contemporâneo porque, ligado a um pensamento próprio do...

Total Eclipse

Título Original: Total Eclipse – GRÃ BRETANHA – FRANÇA – BÉLGICA – 1995 Atores: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romance Bohringer Diretor: Agnieszka Holland Sinopse: Dirigido por Agnieszka Holland, a mesma diretora de Filhos da Guerra (distribuído na edição 16 da Revista do DVD), Eclipse de uma Paixão conta a história do revolucionário poeta francês Arthur Rimbaud, interpretado pelo astro Leonardo Di Caprio. Genial e intempestivo, “o poeta dos sentidos”, como ficou conhecido, revolucionou a poesia do final do século XIX e continua influenciando escritores e surpreendendo leitores até hoje. O filme foca o turbulento período de produção literária de Rimbaud, que coincide com o tempo em que viveu apadrinhado por outro...

Lars von Trier – O filme anticristo (Lathea)

O início do filme favorece uma bela fotografia em movimento, com aquela música maravilhosa; cena surpreendente, uma aula de cinema arte revisitando os grandes mestres do cinema, feito Antonioni e por aí vai. Trágico e contundente o filme vai moldando e tomando corpo e mente. Digo isso, pela escolha maravilhosa de WilIem Defoe como psicanalista, que sempre atuou muito bem. O papel de Charlotte Gainsbourg fazendo a dobradinha e juntando o quebra cabeça. Uma atriz com traços esquisitos e que dispensa o romantismo francês; bem articulada e sem o glamour das grandes estrelas sensuais francesas. Podemos dizer; que o filme apresenta símbolos, metáforas que vão moldando aquelas cenas trágicas. O fato da perda do filho ser tão estúpida e o casal estar...

Trilogia das Cores de Krzystof Kieslowski – por Marcelo Costa 1999

Talvez você, assim como muita gente, não goste do cinema europeu por achá-lo chato demais. E, na maioria das vezes é chato mesmo. Mas se toda regra tem uma exceção, Krzystof Kieslowski, cineasta polonês, é a exceção desse caso. Kieslowski fez ao total 23 filmes, dentre os quais se destacam Amator (1979) – que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher – e o Decálogo (1988 – feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. O destaque é o sexto mandamento, Não Amarás, que conta a história de um jovem (“Entre o amor platônico e a violência do desejo”, conforme anuncia o cartaz…) que corta os pulsos ao ser rejeitado por uma mulher mais velha. Mas sua obra-prima ainda...