Filme ‘Melancolia’ traz visão de Lars Von Trier sobre a vida
“Melancolia”, o novo trabalho do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, começa em ultra slow motion, num prelúdio do que acontecerá mais adiante. O resultado é um filme visualmente muito elaborado, com inspiração em pinturas pré-rafaelitas e alemãs, música de Beethoven (como a “Nona sinfonia”) e traduzindo a habitual visão niilista do diretor sobre a vida e as relações humanas. Não escapa nem o destino do planeta. Premiada em 2009 como melhor atriz no “Festival de Cannes” por “Anticristo”, a francesa Charlotte Gainsbourg retorna neste novo trabalho como Claire, uma das irmãs protagonistas da história. A outra é a norte-americana Kirsten Dunst, interpretando Justine. A atriz acabou vencendo, por sua...
Limite, de Mário Peixoto
Um filme à deriva (ou sobre como restar entre a impossibilidade e a soberania) Por Marina Moros * Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil 1 Giorgio Agamben (2008), no ensaio Che cos’è il contemporaneo? , diz que a contemporaneidade “é essa relação singular com o próprio tempo, que adere a ele, mas, ao mesmo tempo, toma distancia deste; mais específicamente, é essa relação com o tempo que adere a ele através de uma diferença e um anacronismo. Aqueles que coincidem completamente com a época, não são contemporâneos, pois, justamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter fixo seu olhar sobre ela”. Limite Limite [dir: Mário Peixoto, BR, 1931] é um filme contemporâneo porque, ligado a um pensamento próprio do...
Vou-me Embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem...
Borboletas no jardim – por Rosana Serena
É sempre extremamente agradável e simpática a todos. Os convites surgem aos borbotões, seu colorido temperamento sempre acrescenta às festas um tom especial. Mas ela sempre pensa, para que me serve isto! Nada mais tem sentido! Mas entre o batom vermelho-vivo caprichosamente passado à boca e o pensamento, ela atravessa a porta rapidamente em direção ao convite. Cheirosa e bonita ela chega sempre emprestando seu brilho ao lugar. Sua melhor qualidade é que com seu jeito despojado, irrequieto quase ao inadequado ela aquece corações. Sua saída sempre deixa um vácuo e todos se sentem um pouco abandonados. E ela vem e vai o tempo todo, sempre emprestando aos lugares seus matizes fulgurantes. Mas ela sempre pensa: Para quê? É tudo tão sem sentido! Onde...
Um fora da lei – por Rosana Serena
Bebezinho ele encantara a todos com sua beleza e vigor. Sua mãe contava que fora muito exigente. Sempre esfaimado, berrava por alimento e era tão erguido e forte o seu berro, que era preferível atendê-lo de imediato. Em brados, irrequieto e manhoso estava sempre a exigir atenção e era preciso lhe pegar no colo antes que ele perdesse o fôlego. Seu pai não fazia caso se a mãe com seu lindo bebê estivesse sempre às voltas, posto que estava ele mesmo voltado para outras coisas. Ademais seu sonho fora de ter um filho varão e como menino pobre havia sido, tinha jurado ao seu sucessor não faltar nada. E assim sendo nessa fase de vida não lhe privaram de nada! Seus primeiros passos foram uma condenação ruinosa para móveis e objetos. E a si mesmo, punha em...