Certeza da relação – por Rosana Serena
Certeza não se mantém principalmente em relacionamentos! Vivi, e vi em relacionamentos momentos de certeza absoluta de mágoa e rejeição. Definições absolutas de separação para logo depois transformar-se em certeza absoluta de amor e união. Relacionamentos são feitos desses mares revoltos de nossa própria subjetividade. Então o que fazer? Dimensionar esse fato, e, seguir no rumo da bússola levando o barquinho frágil de nossas vidas navegando em rumo norte. Qual é então nosso norte?… Seguir dando sentido à vida, construindo um laço com o outro. Não há outro norte! É sempre difícil esse navegar, tanto que muitos emborcam nas grandes vagas ondulares, deixando o barco sozinho seguir à deriva. Mas o que se quer?… Seguir em frente ou...
Perdoe, ele não sabe o que faz! – por Rosana Serena
Perdoe, ele não sabe o que faz! Era o apelo de um pai cujo filho já havia passado todos os limites. Um pai religioso que se inspira na máxima cristã do perdão para lançar repetidamente esse apelo para quem o filho seriamente prejudicou. O que diríamos de um pai cujo filho está sempre a errar e ele sempre a lhe perdoar? Acharíamos um verdadeiro exercício humano mais do que da paternidade, o do legítimo amor!… Mas se mais atrás retrocedêssemos e víssemos esse filho sempre a errar e o pai sempre a lhe perdoar sem que o garoto conseqüência nenhuma de seus atos tivesse que enfrentar. E se no tempo nos adiantássemos e víssemos esse filho sempre a desacatar todas as regras, do outro respeitar, e mesmo assim o pai este viesse sempre a...
Ouvir Estrelas – Olavo Bilac
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto… E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (Poesias, Via-Láctea, 1888.)
O maior ato de amor – por Rosana Serena
Recebo uma mensagem em forma de apelo desesperado. Ela perdia para doença aquele a quem tanto amava!… Havia passado horas intermináveis segurando aquelas mãos que dantes tão fortes foram! Nesse ato aflito tentava lhe segurar a vida! Essas mãos que entrelaçadas concretizavam diariamente um ato de amor intenso. Havia passado horas inconsoláveis lhe amparando os passos que dantes foram fortes e seguros. Horas incansáveis lhe buscando conforto não encontrado entre travesseiros macios. Foram horas terríveis escutando seus delicados gemidos que lhe traduziam a dor e sangravam seu coração. Nada na vida a havia preparado para isso! E ela vergava sob sua própria fraqueza e se envergonhava disso. Queria fugir, mas era preciso seguir adiante...
Menininha! – por Rosana Serena
E o que é que tinha vindo com aquela criança acontecer? Tão quieta ela era, que em um cantinho colocada não se via ela mexer. E quando assim fazia, de serem tão repetidos os sons e os gestos todos ficam sem entender. Seu lindo cabelinho, tão reto cortadinho, quase cobrira inteiramente aqueles olhinhos que em ninguém ela podia fixar. Porque é que com seus priminhos ela não se punha a brincar. E assim sempre tão sozinha estava a se isolar. E seus jovens pais tão assustados não podiam com ela se comunicar. Menina, menininha, porque é que você repete esses gestos tão estranhos sem nuca os poder parar. Menina, menininha, você que é tão lindinha o que está com você a se passar? E seus pais tão ansiosos esperavam sempre o sinal de uma evolução ver...