Caminhos da razão – por Rosana Serena
Do ponto de vista filosófico, a doutrina idealista do sujeito pensante começa com Descartes e vai encontrar seu coroamento em Hegel. Tinha tal doutrina à pretensão de controlar o saber científico e de situar os diversos conhecimentos, bem como estabelecer seus limites. Apegada as certezas absolutas e verdades totais e acabadas revelou-se como um fechamento e um impedimento a o desenvolvimento do saber científico, voltado à verdade.
Do ponto de vista filosófico Marx, Nietzsche e Freud são considerados como os iconoclastas da consciência no sentido de fazerem com suas teorias a crítica a filosofia idealista do sujeito pensante, questionamentos que permitem ao homem moderno ter reconhecimento da consciência como fonte de ilusão e engano.
Augusto Comte, com o positivismo pouco antes deles, solitariamente abriu o caminho para a crítica quando em busca da verdade pelo seu método hipotético dedutivo, põe em questão uma consciência que observa e que duvida do que vê.
As sentenças que encabeçam o esquema sintético são uma ingênua e divertida tentativa de resumir como para cada um deles, de Descartes até Freud, se põe a busca da verdade.
DESCARTES
“Penso logo existo”
Racionalismo
1) Início da filosofia idealista do sujeito pensante.
2) Experiência epistemológica da dúvida intelectual, dúvida metódica do indivíduo para que se possa manifestar o Cogito.
3) O Eu penso se impõe como afirmação certa da consciência do ato.
4) Para além da dúvida metódica o individuo pensante se afirma como consciente. Consciente de seu objeto de pensamento e consciente de si mesmo.
5) A consciência determina a vida e o homem e posto como sendo eu.
6) Certeza da consciência como verdade de si mesmo.
KANT
Racionalismo
Crítico
1) Filosofia epistemológica crítica, moral e metafísica como ato do sujeito pensante.
2) Ato de um sujeito transcendental.
3) Consciência de ser razão tendo capacidade de inter subjetividade.
4) A consciência universal intersubjetiva é a consciência do sujeito humano.
5) A Consciência do humano é suporte em si da universalidade da Razão.
HEGEL
Idealismo
Consagração
1) Filosofia do Espírito.
2) A consciência encontra sua realização no Espírito enquanto Saber e Razão absoluta.
3) Consagração da doutrina do sujeito pensante elevada à universalidade da Razão.
4) O princípio do sujeito consciente se eleva a universalidade da razão como sistema objetivo da verdade e da realidade.
5) O Sujeito se tornou para além da dúvida metódica, certo de si mesmo e de seu objeto.
6) O ser humano é igual à consciência de si.
COMTE
“Duvido do que penso”
Positivismo
1) A idéia é enganadora e na experiência do engano da idéia que vai enraizar-se à positividade.
2) Valor do positivismo, duvidar da verdade da consciência.
3) Passa-se da era da representação à era da positividade.
4) O método é hipotético dedutivo.
6) Representante é diferente representado.
MARX
“Não sou apenas o que penso de mim”
Marxismo
1) O eu não passa de algo abstrato, produzido pela abstração.
2) O homem é um ser material tendo antes que satisfazer necessidades materiais.
3) A vida determina a consciência.
4) A consciência é determinada pelos fatores sócios- econômicos.
5) A autonomia da consciência (consciência de si e de sua razão) aparece aqui como uma alienação ideológica inconsciente.
6) O idealismo é uma manifestação da ideologia burguesa.
7) O que está por trás é a ideologia.
8) A causa é a relação de produção.
NIETZSCHE
“A consciência é uma fonte de ilusão”
Niilismo
1) A consciência é uma fonte de mentira, e de ilusão.
2) A consciência é mentirosa.
3) Atua a ilusão da consciência de si.
4) As coisas não são o que aparentam.
5) Método do suspeito em relação às ilusões da consciência.
6) Para além do bem o do mal, instala-se a vontade de poder, mestre dos valores, soberano dos sentidos.
7) O que está por trás da consciência é a moral culpabilizante.
8) A causa, vontade de poder.
FREUD
“Sou aonde não penso de mim”
Psicanálise
Choque ao amor-próprio. Ataca a certeza de si.
1) Há um conteúdo manifesto (consciente) que despista o, contudo latente (inconsciente).
2) Há uma consciência e não fora ou abaixo dela uma formação de não-consciência, por isso, a consciência não é autônoma.
3) No manifesto (consciente) está presente o latente (inconsciente), a causa.
4) Entre o estado de consciência e não consciência há um bloqueio, cuja função é impedir o desprazer. Esse bloqueio falha quando deixa escapar para o nível consciente algum sinal. Aparece aí no consciente manifestadamente, mas disfarça e encobre algo que pertence à dimensão não-consciente.
5) Para descobrirmos a causa precisamos de um método que seja capaz de interpenetrar os estados de consciência.
6) O inconsciente está presente como estrutura de linguagem no discurso do sujeito.
7) A verdade do sujeito tem que ser buscada no inconsciente.
Amiga seu texto está mais preciso ainda,pq me lembro da época da faculdade ? Parabéns sempre!