É possível ser feliz? O instinto de agressividade.
O trabalho psicanalítico nos mostrou que as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria em seus sintomas satisfações substitutivas para si, e estas ou causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente e a sociedade a que pertence. O amor sexual constitui-se em um relacionamento entre dois indivíduos, no qual um terceiro só pode ser supérfluo ou perturbador, ao passo que a civilização depende de relacionamentos entre um considerável número de indivíduos. Quando um relacionamento amoroso se encontra em seu auge, não resta lugar para qualquer outro interesse, um casal...
É possível ser feliz? Teoria psicanalítica dos instintos.
De todas as partes lentamente desenvolvidas da teoria analítica, a teoria dos instintos foi a que mais penosamente progrediu. No que constituía a princípio minha completa perplexidade tomei como ponto de partida uma expressão do poeta filósofo Schiller: “são a fome e o amor que movem o mundo. A fome podia ser vista como representando os instintos que visam preservar o indivíduo, ao passo que o amor se esforça na busca de objetos e sua principal função, é a preservação da espécie. Assim de inicio, os instintos do ego e os instintos objetais se confrontam mutuamente. Foi para denotar a energia destes últimos, que introduzi o termo “libido”[1]. Assim, a antítese se verificou entre os instintos do ego e os instintos libidinais do amor que eram...
É possível ser feliz? Conseqüências da renúncia ao instinto de agressividade.
Quais os meios que a civilização utiliza para inibir a agressividade, para torná-la inócua ou talvez livrar-se dela? Podemos estudá-las na história do desenvolvimento do indivíduo. O que acontece neste para tornar inofensivo seu desejo de agressão? Sua agressividade é introjetada, internalizada; ela é enviada de volta para o lugar de onde proveio, isto é dirigida no sentido do próprio ego. Aí é assumida por uma parte do ego, que se coloca contra o resto do ego, como o superego, e que estão sob a forma de “consciência[1] ” está pronta para por em ação contra o ego a mesma agressividade rude que o ego teria gostado de satisfazer sobre outros individuo, a ele estranhos. A tensão entre o servir o superego e o ego, que a ele se acha sujeito, é...
É possível ser feliz? A impossibilidade da felicidade.
É minha intenção representar o sentimento de culpa como o mais importante problema no desenvolvimento da civilização, e de demonstrar que o preço que pagamos por nosso avanço em termos de civilização é uma perda de felicidade pela intensificação do sentimento de culpa. Essa afirmação constitui a conclusão final de nossa investigação e pode ser localizada no relacionamento peculiar que o sentimento de culpa mantém com nossa consciência. No caso comum de remorso, esse sentimento se torna claramente perceptível para a consciência. Na verdade, estamos habituados a falar de uma consciência de culpa ao invés de “sentimento de culpa”[1]. Nosso estudo das neuroses nos dá as mais valiosas indicações para compreensão. Numa dessas afecções, a...
A questão epistemológica da cientificidade atual – por Hilton Japiassú
Na visão ocidental da antiguidade, o mundo era entendido a partir de um esquema de um Cosmos organizado hierarquicamente no interior de um espaço fechado, pensamento este, traduzido pela síntese aristotélica O mundo formava um Cosmos físico e bem ordenado, criado e garantido por Deus. A terra ocupava o centro do Universo sendo o homem o centro e causa da criação divina. Ao homem cabia ser o expectador da criação divina e não lhe era dado o direito de intervir nas questões da natureza. Cabe à Renascença, enquanto movimento de revisão de uma época e não só movimento nas artes, o mérito de ter destruído essa síntese. Despojado das coisas em que acreditava, o homem acossado pela dúvida foi dominado pela credulidade. Porém a destruição da...