Disjunções no Discurso – por Rosana Serena
Com Freud e Lacan podemos dizer que o “bem estar” do sujeito nem sempre está onde está seu desejo. Que este, o desejo, se apresenta para o sujeito como um estranho, em nome do qual o sujeito age, mesmo que nada saiba sobre isso. E, é nesse sentido que a psicanálise é subversiva porque ela não busca o bem comum.O único bem que interessa à psicanálise é que o sujeito tenha acesso a sua verdade inconsciente. Em uma análise, há somente um interlocutor, o sujeito do inconsciente. Não é possível estabelecer regras de leitura e interpretação do inconsciente para se dominar o discurso. O inconsciente é construído na história própria de cada um, portando signos e representações que são particulares a cada um. Se o sujeito quiser saber da sua verdade será preciso fazer o percurso; buscar o significado de seus sintomas em um processo de análise, onde, a única regra, a única lei, é a do próprio inconsciente, e, a única ética, é a da verdade do sujeito do inconsciente.
Aristóteles estabeleceu com rigor as regras fundamentais de como se estabelece um texto falado ou escrito, com uma lógica dialética tão intelectualmente refinada quanto rigorosa. Nos é quase impossível, como interlocutores, escaparmos da argumentação estabelecida, e, ao fim não sermos convencidos de tal verdade exposta, até porque fomos convocados pelo uso do conhecimento das paixões, tão ricamente detalhado por ele. Na retórica, se dominarmos o método, dominamos o discurso e assim o interlocutor. Geralmente há um determinado grupo de interesse para qual o discurso foi elaborado. Ao final temos um resultado seguindo uma ética sustentada aparentemente no bem comum.
Podemos concluir afirmando que, o que se pretende, é um discurso lógico, coerente e racional, devem-se seguir as regras aristotélicas. O trabalho científico que tem por objetivo transmitir um conceito não pode prescindir desses fundamentos que seguem a lógica própria do processo de conhecimento. Tão antigo quanto atual, o trabalho de Aristóteles, nos interessa a todos nesses tempos de desordenada expressão científica. E a psicanálise? Também não é para todos, é para aqueles que tendo uma questão, interrogam-se sobre ela!