E o príncipe virou sapo – por Rosana Serena

De família nobre, de nobre alma e posição na vida, dentre eles, ele nasceu bonito e muito amado. Sempre foi o bom filho, o bom irmão. Amparo da mãe e da irmã, na ausência do pai foi sempre àquele com quem todos podem contar. Era um nobre rapaz e não tinha quem pudesse disso duvidar!…

E no galope do seu lindo mustang branco ele veio a lhe encontrar nas mais lindas pradarias daquele lugar. E ainda montado em seu cavalo ele parou para lhe olhar, a ela que distraidamente estava a passear.

Em nenhum sonho de menina ela tinha ousado sonhar, e ela não podia acreditar que ele estava seriamente a lhe cortejar.

Uma aldeã e um príncipe parecia impossível se acreditar realizar. Mas impondo-a na corte, ele a fez aceitar, e ela julgou que o mais belo sonho de amor ela estava para sempre vivenciar.

A família da desvairosa camponesa passou com faustosas becas a se fantasiar e como nobres com importantes títulos nobiliárquicos passaram a se auto-retratar.

Um lindo bebe veio ao mundo completar a linda estória de fadas que estava a se desenrolar.

Poucos anos se passaram e o sonho principiou a desmoronar, parece que o jovem príncipe estava enfadonhamente a se enfastiar…

E com seu lindo cavalo branco ele saiu pelo reino a galopar e encontrou nobre princesa e com ela ficou a se encantar, e todo o seu enfastiamento acabou por se finalizar e com ela foi embora deixando em seu lugar uma dor de amargar!

E ficou a ex-aldeã com sua gestação em curso, obrigada a terminar sozinha seu bebe de gestar. Na simplicidade de seu antigo casebre ela não irá mais morar, mas sozinha com seus filhos no  majestoso castelo irá ficar.

Mas acontece que ela sabia que se estava a repetir uma estória igual a sua só que daquela vez era ela, quem a outra princesa consorte havia ajudado a deportar. Desconsolada agora ela chora, como outra já chorou, e a ela tenho que dizer que não se ponha a vitimar, pois foi ela quem escolheu este, que outra já abandonou e agora está a lhe abandonar.

O engano é que foi dela, pois que este príncipe sempre foi sapo e só ela que não entendeu, que quem os deveres não cumpre não cumprirá nem desta e nem daquela e em nenhuma outra vez. E que engraçado é que foi ela a primeira a lhe ajudar a outra enganar.

E a rainha mãe o está a acolher como estará desta e outra vez em que isso virá acontecer. E ela acha que ele, belo príncipe, está em seu direito de viver um belo sonho, mas direito não se fala para quem não sabe o que é um dever!

E esse príncipe, ela chora, sem nem um pouco entender como que ele virou sapo de uma ora para outra sem nem mesmo ela perceber.

É que talvez nem sapo ele seja, pois que estas criaturas ainda têm um bem fazer, pois o instinto lhes dirige para a cria proteger e do ovo eles cuidam desde o fecundar até o desabrochar e assim garantir a espécie, sem mais nada esperar.

Parece tão injusto com um sapo comparar, um homem assim, sem nem mesmo um instinto de amor e proteção para a cria prosperar.

E o sapo[1] este sim, tem do que reclamar, em se ver assim com este falso príncipe se comparar, que bem mais nobre ele é no seu se responsabilizar.

E eu queria finalizar em que favor de um sapo proclamar:

Pobre sapo assim tão injustamente comparado, a um homem, este sim que apesar de toda a nobreza, repulsa deve provocar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Sapos são anfíbios mais desenvolvidos no processo acasalamento. Alguns deles tomam conta de suas crias, o sapo-parteiro dispõe o cordão de ovos em torno do si próprio e os carrega ajudando o desenvolvimento de suas crias.

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