Furacão! – por Rosana Serena

Ela é um furacão! Como uma força da natureza, chega a impressionar.

Furacões são ventos muito rápidos e circulares. Chegam com tanta fúria que por onde passam não sobra nada. Pessoas podem ser engolidas pelos cones de vento e cuspidas metros adiante. É uma bela massa rodopiante de ventos. Sua beleza é paradoxal e tão bela quanto destrutiva.

Ela, sempre com suas forças renovadas ela entra e sai como um furacão.

Está sempre alguma e outra coisa a inventar. Prepara-se sempre para a próxima rajada, sem planejar, pois não é do seu perfil. Vai sendo levada pelos ventos a favor.

Com sua força entra e sai derrubando tudo no bom sentido. Arrasta consigo os móveis e objetos e os imóveis se assim consideramos as pessoas mais paradas.

Sua alegria e prazer são legítimos e diante de qualquer situação ela tira o melhor.

Em uma boa mesa está sempre a se refestelar…

Em uma festa sempre voluptosamente a dançar…

Em uma viagem está sempre a se maravilhar…

Com os amigos e família está sempre a abraçar e beijar e lindas e estórias sempre a contar…

E nessas águas e ares quentes vai intensificando a sua força, seguindo correndo sempre em frente sem dela nada perder. E sem perder a força, arrasta tudo e toma outros rumos, novas direções sempre alimentada pelo intenso calor.

E imponente e sem reservas, ela atravessava fronteiras marítimas em busca de mais calor e força, do sempre novo e grande amor.

Em seu mundo tudo é colorido e brilhante e por isso os seus contos sempre são de encantar…

E se tem que chorar e sempre sem com alguém fazer par.

E é claro dela não se espera condescendência para a moleza e ou fraqueza.

E se no seu caminho você estiver a atrapalhar, por sobre você ela há de passar sem sequer se importar!

Seu nome deveria estar listado entre os furacões mais conhecidos da história, Katrina, Wilma, Rita, Isidora, Iris e Catarina…

É um fenômeno muito raro de por aí se encontrar!…

Mas fique bem atento, pois é bonito de se olhar, mas se você não se cuidar pode muito se machucar, levado pelo turbilhão que em seu vórtice você irá enrodilhar, e perigosamente dentro dele irá rodopiar. E se você bem olhar verá que ela está a passar por cima de seu próprio bem-estar.

Mas com esses ferozes movimentos sempre lhe restará certa consumição de sua própria energia física. E tal como um furacão que se termina pela absorção de todo o calor que o alimenta, sem que ela perceba poderá ser consumida como um furacão que se dissipa ao perder sua fonte própria de energia física.

Furacões são fenômenos meteorológicos que se alimentam de calor liberado pela umidade do ar e condensação de vapor. A força do furacão, ou seja, sua potência depende do calor liberado pelo vapor das águas o que impulsiona a formação de uma tempestade. E ele rapidamente se dissipa quando perde essa fonte de calor.

A pulsão é uma fonte interna do sujeito de pressão constante, sua finalidade é sempre a satisfação e o objeto pelo qual e através do qual ela pode atingir sua finalidade é variável. E ela é sempre parcial. A teoria da pulsão em Freud é sempre dualista e na segunda teoria, as pulsões de vida se opõem as pulsões de morte.

As primeiras tendem a conservar a unidade vital existente, As segundas tendem a destruição das unidades vitais. Poderíamos dizer que as primeiras são construtivas, e as segundas destrutivas, mas ambas conservam as características fundamentais das pulsões, ou seja, fonte de pressão constante com a finalidade de satisfação.

São duas forças sempre operantes e para o sujeito humano restará tentar manter o equilíbrio entre essas forças interiores e dominadoras.

Restará ao nosso furacão- mulher alimentar-se de sua força propulsora e arrebatadora de vida, até o ponto em que isso não leve pelo excesso de força a consumir-se destrutivamente. Ponto em que já não poderíamos distinguir uma força de outra, a saber, se esse seu movimento é um movimento de vida ou de morte!

Paradoxos dialéticos de relação antética perene, buscando a síntese nem sempre alcançada!

 

 

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