Meu soldadinho de chumbo – por Rosana Serena
E ele punha o menino no cangote e se punha a pular, e giravam num giro louco e se punham ruidosamente a gargalhar. Era tão forte a imagem perfeita de um filho e seu pai, que todos se punham a emocionar. Duas crianças em perfeita harmonia a girar e a brincar!
O soldadinho de chumbo é um tradicional e antigo brinquedo infantil para meninos, e é assim que se mostra nesta brincadeira, entre seu pai e seu filho, nesses giros loucos em torno deste eixo esta relação rolar.
Poderia se esperar mais de um pai?
Para além desses folguedos onde estava então sua presença responsável na vida desse menino? Onde estaria o seu compromisso de garantir ao filho sua subsistência? Onde ficara seu dever de garantir ao filho bons colégios e educação? Onde ficara a assistência que ele deveria dar a saúde de seu filho? Onde afinal ficara todo amparo que ao menino ele deveria prestar?
Ficou e ficará para sempre relegada enquanto ele mesmo não crescer e sair do colo de seus pais. Esqueceram de lhe dizer que para ser pai, filho antes é preciso deixar de ser! Mesmo que com a assunção dos compromissos morais por seu filho transferidos, poderão os pais desse suposto pai garantir a paternidade não exercida, para este neto? Por certo não, pois há a esperar muito mais de um pai.
O pai real é para criança o que faz a função do articulador da lei e deverá ser alguém com quem o menino se identificará para a definição de sua própria masculinidade. Se espera então, que através do exercício de sua paternidade ele carregue os emblemas da masculinidade com quais possa o menino se identificar.
Mas poderá esse menino, idealmente se identificar a um homem que chora e esmorece diante das exigências da vida? Um homem que vacila e foge das responsabilidades da paternidade delegando-a a seu próprio pai?
Infelizmente para esse menino tais atributos da persona paterna serão o suporte sobre os quais ele se apoiará para constituir uma identificação cuja forma final vai lhe definir um destino como homem.
Por que esse arremedo de pai chora tanto assim, ao lhe ver o filho virar as costas e correr alegremente em direção a sua mãe, pois não é ao certo nela em quem ele procura e encontra garantia e segurança!?
Não devemos lhe ter pena, ao vê-lo assim chorar, mas nos cabe muito bem lhe admoestar:
Ser pai, meu rapaz, não é um direito, mas antes um dever, e um filho não é um brinquedo para apenas se brincar!
Muito Bom o texto.Aliás como todos os outros, sempre me encanto com sua expressividade.
Perfeito minha amiga!o exercício de um pai……?
Lindo texto mãe! Eu que não quero um soldadinho de chumbo!!
Te amo!
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