O que a gente permite! – por Rosana Serena
Ouço muito, estrondosamente rompendo o discurso das queixas diversas de problemas no relacionamento; alguém da pequena platéia de ouvintes interrompendo o queixoso com a seguinte interpelação:
_ O outro só faz com a gente o que a gente permite!
E eu, nem sempre silenciosamente, penso admoestando, de que serve essa popular e selvagem interpretação, dita assim tão abruptamente. Esse outro que sofre, sofrerá ainda mais ao ouvir externalizada a acusação que já se faz:
_ Você permite!
É sempre em um jogo amoroso que ele se vê assim, como que capturando nas redes subjetivas desse outro a quem ele ama fervorosamente. Por que se permite ser magoado? Por que está tão assim submetido aos desejos e vontades do outro?
Porque acima de todos os porquês, sabe disso e não consegue sair de onde está firmemente atado?
Na incessante busca do amor como suplência de todas as carências, esse que sofre se faz e se desfaz; se colocando de um modo, qualquer um, que lhe garanta esse amor de completude de si mesmo, tesouro inestimável recebido do outro.
Desamor por si, desmesurado e submisso, amor pelo outro é o que parece implicar a condenação: “Você permite!”
Se tivermos, que tomar em conta a subjetividade humana, como determinante de toda ação, vale pensar nesses determinantes internos dessa suposta posição de amor ilimitado pelo outro, de quem se parece estar à mercê. Podemos então pensar por essa lei, que ao contrário do que parece, não é o outro que nos toma de assalto e domina toda nossa vida afetiva, mas que estamos dominados por nossa própria condição interna?
A condição do amor do outro a qualquer preço, traz um preço impresso, o da condenação de ser exatamente o que ele quer e deseja de mim. Por que a gente permite? Por que se faz qualquer coisa para ser o que o outro exige a fim de assegurar o seu amor.
Amarga prisão, uma vez que se está condenado a ser exatamente o que o outro invoca e clama. Jogo ao inverso do que parece, o que é aqui jogado é o amor por si mesmo, pois querer ser objeto do amor do outro é do narcisismo uma boa definição.
Resta aí uma decisão, de buscar uma mudança interna ou de continuar me amando assim tão ao inverso do real e saudável amor pelo outro.
Como gostaria de saber escrever como vc.Em poucas linhas vc falou a verdade que afligi muita gente. Quando for grande tbm vou querer escrever com tanta sabedoria ,igual a vc. vOU REFLETIR BASTANTE.
Bjosss
“a condenação de ser exatamente o que o outro quer e deseja de mim”…. Não assegura o amor de ninguém! Nessa condição o submisso sofre por sua incapacidade de confiar em si mesmo e ser amado por si, o outro se torna egoísta a ponto de aceitar a submissão e apoderar-se das energias do amante.
A verdade é que, as pessoas se acomodam nesse tipo de encenação e seguem representando sem mesmo se dar conta do tempo. A busca da mudança interna fica cada vez mais difícil e quase impossível após muitos anos nessa amarga prisão.
Ficamos orgulhosos de nossa pretensa condição de amor e somente quando nos voltamos ao silencio de nossas verdades, as profundezas de nosso interior nos sentimos isolados e submersos em um grande vazio.
O amor tem que ser único, amigo, limpo, sem disfarces, para não se igualar as encenações comerciais do teatro da vida.
Lelia
“A condenação de ser exatamente o que o outro quer e deseja de mim….”Não assegura o amor de ninguém! Nessa condição o submisso sofre por sua incapacidade de confiar em si mesmo e ser amado por si, o outro se torna egoísta a ponto de aceitar a submissão e apoderar-se das energias do amante.
A verdade é que, as pessoas se acomodam nesse tipo de encenação e seguem representando sem mesmo se dar conta do tempo. A busca da mudança interna fica cada vez mais difícil e quase impossível após muitos anos nessa amarga prisão.
Ficamos orgulhosos de nossa pretensa condição de amor e somente quando nos voltamos ao silencio de nossas verdades, as profundezas de nosso interior nos sentimos isolados e submersos em um grande vazio.
O amor tem que ser único, amigo, limpo, sem disfarces, para não se igualar as encenações comerciais do teatro da vida.
Lelia Camargo
Parabéns pelo artigo.
Pois, é Rô, li primeiro o texto de Lacan e agora o seu. Muito bem elaborado, por sinal. Vejo entretanto que a temática persiste, talvez porque a auto estima seja tão dificil de ser conquistada e por isso cedemos ao outro nosso melhor, nem sempre tendo a contrapartida, não é?
Pensar sobre isso é sempre pertinente.
Uma frase aparentemente tão simples, porém com um conteúdo imenso, e mto bem colocado no seu texto, parabéns cunhada, tenho mto orgulho de fazer parte de sua história.
Sabe, agora com a maturidade, tenho certeza que não vou mais permitir… e sim vou me permitir mto mais….