É possível ser feliz? Caminhos de busca da Felicidade.

Nesse trabalho escrito em 1930, Freud volta-se para questão do propósito e a intenção da vida humana. O que podem os homens da vida e o que desejam nela realizar? Segundo ele, a resposta não pode provocar dúvidas. Esforçam-se os homens para obter felicidade, querem ser felizes e assim permanecer. Essa empresa, no entanto apresenta dois aspectos: por um lado visa a uma ausência de sofrimento e desprazer; por outro lado, a experiência de intenso sentimento de prazer. Afirma que o princípio do prazer domina o funcionamento psíquico que se guia pela ausência do desprazer e sofrimento e busca sentimentos de prazer. Adianta que não há possibilidade desse programa ser executado, pois temos três fontes de sofrimento, de nosso próprio corpo condenado a...

É possível ser feliz? A civilização é construída sobre uma renúncia ao instinto.

Há três fontes de nosso sofrimento: o poder da natureza, a fragilidade de nossos próprios corpos e a inadequação de regras que procuram ajustar os relacionamentos mútuos dos seres humanos, na família, no Estado e na sociedade. Quando as duas primeiras fontes não se podem hesitar nosso julgamento nos força a reconhecer que são inevitáveis. Nunca dominaremos completamente a natureza, e nosso organismo corporal, ele mesmo parte dessa natureza, permanecerá sempre como uma estrutura passageira, com limitada capacidade de adaptação e realização. Quanto à terceira fonte a fonte social do sofrimento, nossa atitude é diferente. Não podemos conceber porque os regulamentos estabelecidos por nós mesmos não representam proteção e benefício para cada um...

É possível ser Feliz? A função do amor para civilização.

Depois que o homem primevo descobriu que estava literalmente em suas mãos melhorar sua sorte na Terra, através do trabalho, não lhe pode ter sido indiferente que outro homem trabalhasse com ele ou contra ele. Esse outro homem adquiriu para ele o valor de um companheiro de trabalho com quem era útil conviver. Pode-se supor que a formação de famílias deve-se ao fato de ter ocorrido um momento em qual a necessidade de satisfação genital, se alojou como um inquilino permanente. Quando isso aconteceu o macho adquiriu um motivo para conservar a fêmea junto de si, ou em termos mais gerais, seus objetos sexuais, a seu lado, ao passo que a fêmea, não querendo separar-se de seus rebentos indefesos, viu-se obrigada, no interesse deles, a permanecer com o macho...

É possível ser feliz? O instinto de agressividade.

O trabalho psicanalítico nos mostrou que as frustrações da vida sexual são precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria em seus sintomas satisfações substitutivas para si, e estas ou causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente e a sociedade a que pertence. O amor sexual constitui-se em um relacionamento entre dois indivíduos, no qual um terceiro só pode ser supérfluo ou perturbador, ao passo que a civilização depende de relacionamentos entre um considerável número de indivíduos. Quando um relacionamento amoroso se encontra em seu auge, não resta lugar para qualquer outro interesse, um casal...

É possível ser feliz? Teoria psicanalítica dos instintos.

De todas as partes lentamente desenvolvidas da teoria analítica, a teoria dos instintos foi a que mais penosamente progrediu. No que constituía a princípio minha completa perplexidade tomei como ponto de partida uma expressão do poeta filósofo Schiller: “são a fome e o amor que movem o mundo. A fome podia ser vista como representando os instintos que visam preservar o indivíduo, ao passo que o amor se esforça na busca de objetos e sua principal função, é a preservação da espécie. Assim de inicio, os instintos do ego e os instintos objetais se confrontam mutuamente. Foi para denotar a energia destes últimos, que introduzi o termo “libido”[1]. Assim, a antítese se verificou entre os instintos do ego e os instintos libidinais do amor que eram...

É possível ser feliz? Conseqüências da renúncia ao instinto de agressividade.

Quais os meios que a civilização utiliza para inibir a agressividade, para torná-la inócua ou talvez livrar-se dela? Podemos estudá-las na história do desenvolvimento do indivíduo. O que acontece neste para tornar inofensivo seu desejo de agressão? Sua agressividade é introjetada, internalizada; ela é enviada de volta para o lugar de onde proveio, isto é dirigida no sentido do próprio ego. Aí é assumida por uma parte do ego, que se coloca contra o resto do ego, como o superego, e que estão sob a forma de “consciência[1] ” está pronta para por em ação contra o ego a mesma agressividade rude que o ego teria gostado de satisfazer sobre outros individuo, a ele estranhos. A tensão entre o servir o superego e o ego, que a ele se acha sujeito, é...

É possível ser feliz? A impossibilidade da felicidade.

É minha intenção representar o sentimento de culpa como o mais importante problema no desenvolvimento da civilização, e de demonstrar que o preço que pagamos por nosso avanço em termos de civilização é uma perda de felicidade pela intensificação do sentimento de culpa. Essa afirmação constitui a conclusão final de nossa investigação e pode ser localizada no relacionamento peculiar que o sentimento de culpa mantém com nossa consciência. No caso comum de remorso, esse sentimento se torna claramente perceptível para a consciência. Na verdade, estamos habituados a falar de uma consciência de culpa ao invés de “sentimento de culpa”[1]. Nosso estudo das neuroses nos dá as mais valiosas indicações para compreensão. Numa dessas afecções, a...