Melancolia – por Rosana Serena

Para onde ela olhava fitando o infinito? Onde estava assim tão perdida? Que mundo distante era esse onde não a podíamos alcançar? Desde sempre me intrigou como mistério insolvido, aquele seu olhar. Era como que afogado em profundos mares de incompreensíveis mágoas. Era desviado e distante da cena presente que se desenrolava diante dela. Em sua reclusão silenciosa por trás de seus olhos, onde estaria ela? E lá, distante onde estivesse o que estaria vendo dela? E vendo o que via o que estaria sentindo ela? Era toda dor e agonia de uma alma ressentida. Mas de que? Dava de ombros desgostamente quando lhe insistiam saber a razão, como se ultraje fosse não lhe reconhecerem o valor de sua dor, e respondia silenciosamente com maior mágoa em seu olhar. Vivia...

Caminhos da razão – por Rosana Serena

Do ponto de vista filosófico, a doutrina idealista do sujeito pensante começa com Descartes e vai encontrar seu coroamento em Hegel. Tinha tal doutrina à pretensão de controlar o saber científico e de situar os diversos conhecimentos, bem como estabelecer seus limites. Apegada as certezas absolutas e verdades totais e acabadas revelou-se como um fechamento e um impedimento a o desenvolvimento do saber científico, voltado à verdade. Do ponto de vista filosófico Marx, Nietzsche e Freud são considerados como os iconoclastas da consciência no sentido de fazerem com suas teorias a crítica a filosofia idealista do sujeito pensante, questionamentos que permitem ao homem moderno ter reconhecimento da consciência como fonte de ilusão e engano. Augusto Comte,...

Nos desfiladeiros da angústia – por Rosana Serena

E de repente acordei sobressaltada entre brumas: Onde eu estava? E me tomou como de assalto. O céu abruptamente cinza, se refechou sobre mim. Estava às cegas, envolta por uma cerração fechada que me impossibilitava ver coisa alguma. Sabia que estava num vale sombrio e me agarrava à esperança vã, contida na oração, que me assegurava que mesmo que eu andasse pelo vale da morte, não deveria temer perigo nenhum, pois não estaria sozinha. Mas eu, vislumbrava no meio das sombras, apenas as paredes do grande desfiladeiro em cujo vale eu me encontrava: Que lugar era esse? Ouvia ao longe, as vozes queridas de quem amava, mas as palavras débeis não se faziam formar. Via-lhes difusa e longinquamente a imagem amada, mas não lhes podia alcançar. Entrevia...

O silêncio interno desses espaços infinitos me aterroriza, pois o homem se situa sob um céu onde não se fazem mais ouvir nem a harmonia das esferas celestes nem a cantada dos Anjos. Pascal

O sujeito pensante – por Hilton Japiassú

O sujeito pensante não é aquele que poderíamos acreditar, vale dizer, não é aquele no que acreditava a filosofia clássica da Consciência, O homem que reflete, que estuda, ultrapassa seus conhecimentos. O sujeito, aquele que é autor do conhecimento percebe que, como sujeito consciente, ele está deposto. O que se quer dizer é que não se nega que a consciência seja capaz de validar o ato do pensamento. O que não consegue fazer é validar o ser do sujeito. A constatação pós hequeliana (Marx -Nietzsche -Freud) é uma comprovação da dissociação estabelecida entre a validade do “penso” e a certeza do “existo”. A respeito disso, Foucault escreve: “o discurso que no século xvii ligou um ao outro, o “penso” e o “existo” daquele que o...

Meu fiel amigo – por Rosana Serena

Amigo fiel de amor incondicional com quem compartilhamos alegrias e dores. Amigo fiel que mitigou nossa solidão humana. Amigo fiel nos despedimos de você com gratidão. Amigo fiel seu lugar é agora em nossos corações. E da lá te veremos sempre alegremente ao nosso lado!

A princesa que não vestiu o sapatinho de cristal – por Rosana Serena

– Irascível, diríamos dela! Insuportável em sua grandiloqüência que se aproxima de um solilóquio. Ela de fato fala de si e para si o tempo todo. Sua fala é sempre uma acusação explicita ou implicitamente. Condenatória em sua cobrança de atos de solidariedade que não sabe ter. Solene em suas reivindicações amorosas de um amor que não sabe dar. Beligerante na exigência de um reconhecimento que não sabe trocar. Esgota-se nessas exigências!Vive cansada! Imaginariamente se vê em um palco onde é a atriz principal, mas cuja platéia inadvertidamente não lhe aclama a interpretação. Encena como que diante de um espelho no qual mantém fixo o olhar. Encenação desgastante a espera de um reflexo que não vem, pois o que procura é ver refletida...