Ai de mim! – por Rosana Serena
Ela é aquela que está sempre a se queixar de todos os males do mundo que estão a lhe assombrar, mesmo quando sendo tão jovem e bonita tudo ela teria para estar a se maravilhar.
Seu enorme sofrimento não tem como aplacar, pois não há nada que você possa lhe dar, para esse sentimento se alterar, pois ela é aquela que está sempre de uma dor de alma a se lamuriar.
Os amigos estão sempre a lhe amparar e se desgostam e se desgastam de tanto tentar lhe apoiar, e quanto mais essas dores querem aplacar tanto mais ela estará a se judiar. Por que ela sofre se você tenta com seu amor lhe consolar, porque aí parece que ela fica sem ter do que sofrer, e isso, um dano a mais, irá lhe causar.
Sofre de tudo essa menina!…Do que vê na TV, do cãozinho abandonado, até a exaltação de campeões em um pódio consagrados, porque sempre tem um que não foi agraciado, e tal como cão desamparado, isto vai com certeza reverberadamente lhe mortificar.
Sofre com a alegria da diversão, pois tem presente a dimensão de que não lhe pode desfrutar, e sofre mais, porque nessa ocasião não terá motivos do que sofrer, e isto um tanto mais, vai o coração ensombrar.
Seu sofrimento à personalidade está visivelmente lhe marcar. Suas vestes descoloridas estão sempre a lhe pesar, em um rosto onde a palidez está claramente a se mostrar e um sorriso está sempre como ausência se caracterizar.
Não tem um dia sequer em que ela não tenha uma queixa para se lastimar e lágrimas doloridas de sofrimento a rolar. Começou pequenina a prantear, por alguma coisa muito valiosa que perdeu que ela não sabe bem se é real, mas desse mal até hoje está sofridamente a se lamentar!
Ela é como um saco sem fundo, por onde escorrem todos os nada misteriosos, no entanto tão valiosos materiais de vida e amor, sem possibilidade alguma de não vazar. Nenhum ato ou palavra amorosa vai ser capaz desse saco locupletar, pois pelo furo tudo estará sempre a escapar!
E chora mais ainda, porque não consegue suportar em ver assim todos que a amam inutilmente, tal como bálsamo querer funcionar. E sempre chega ao ponto, de tanto lhe verem assim se comportar e todos com sua dor se verem pesar, que o próximo passo, é certo, é a ela e sua dor, veementemente rejeitar!
E por isso mesmo, você ficará moralmente compromissada a lhe incitar para que sua atitude diante da vida ela possa modificar. Mas você se cansará e muito mal se sentirá quando ela se colocar como uma menininha que de você, está a apanhar!
Uma dor assim tão crônica é difícil de curar, pois nada é possível de fazer essa dor mitigar.
Miséria de vida, miséria de alma, miséria psíquica que nada que você faça possa ser um lenitivo para lhe aliviar. Mas será que seria o caso?
Uma alma assim tão ressentida, sempre entre o sofrer por se deixar apanhar, ou sofrer por não querer bater, será que realmente tem jeito da gente poder ajudar?
Parece que é um jogo que consigo mesma ela está a jogar e se você entrar, com as regras dela, você vai ter que jogar, e algum dia, vai ter que escolher entre com ela sofrer ou se retirar. E de qualquer modo seu esforço de nada irá adiantar, é no seu sofrimento que ela tentará se agarrar, e como cada qual tem o seu é melhor nesse jogo com o dela, o seu não aumentar!
Encontramos no masoquismo uma paradoxal ligação do prazer com a dor. Em 1905, nos Três Ensaios surge a conexão do masoquismo, com a pulsão sexual, a dor como possibilidade de prazer e coexistência de forma passiva e ativa no mesmo indivíduo.[1]
Um sádico é sempre ao mesmo tempo um masoquista[2] diz Freud no mesmo artigo, o que vale dizer que um masoquista é o mesmo tempo um sádico segundo essa conceituação. Ao sadismo estaria ligada a posição ativa, o prazer é associado à atividade de causar dor, e ao masoquismo, a posição passiva de sofrer.
Dos quatro destinos da pulsão, a transformação no contrário e a orientação a própria pessoa, são os que se relacionam com a questão do masoquismo. A transformação como mecanismo, coloca este, o sadismo, onde o fim ativo é atormentar, passar ao passivo ser atormentado. E o sadismo contra o outro, desvia do seu objeto exterior e orienta-se contra a própria pessoa, como masoquismo.
No problema econômico do masoquismo (1924-1976) Freud distingue o masoquismo erógeno, feminismo e moral. O masoquismo moral acentua a necessidade de sofrimento, o que é firmemente mantido, é a necessidade de sofrimento. A dor seria o grande benefício do sintoma, pois satisfaria sua necessidade de castigo, pela culpa da sua pulsão sádica. Haverá aí um sentimento de culpabilidade maior, e a exacerbação da consciência moral, quanto maior tiver sido a renúncia a agressividade.
Ou seja, tanto maior a dor, e maior o rigor do indivíduo contra, si maior o masoquismo que nele podemos identificar.
Parabéns Rosana, seu blog e
Completando … seu blog esta perfeito. Muito bom.