K-Pax – O caminho da luz – por Rosana Serena

Ele sempre fora um menino limitado, calmamente estranho. Nunca reagia a nada! Filho do meio de um casal abastado e intelectualmente privilegiado nasceu sem fazer barulho algum, custou para chorar! Era um bebê calado e aparentemente tranqüilo, mas logo foi atropelado pelo nascimento de uma irmãzinha que foi para os pais a festa da casa. Quieto, calmo e bem humorado fora sempre pouco inteligente e perspicaz e talvez sentisse pesar-lhe a sombra que lhe faziam as suas irmãs. A mãe dizia que o nascimento determina o que os filhos serão, e ele já nascera preguiçosamente sentado, tendo preciso ser ajudado a nascer com “fórceps”. Cresceu assim sem marca nenhuma de sua individualidade a não ser esta com a qual pela mãe fora marcado. Nunca ousou nada como...

Um castelo feudal– por Rosana Serena

E aquele lindo moço sempre foi assim tão esquisito? Nascido de pais amorosos, mãe decididamente dominadora, nasceu caçula de três irmãos. Desde sempre o mais bonito e inteligente da família, entregou-se as atividades escolares com certa destreza. Aos vinte e três anos já engenheiro formado faz a suas primeiras incursões no mundo exterior, fora dos muros da fortaleza familiar… Como castelão saindo pela primeira vez de seu castelo medieval e fazendo suas primeiras incursões nas cercanias da aldeia ele estaca repentinamente, em estupor mental, imobilizado por minutos que pareceram horas, e lhe parece que se explode em mil pedaços desconexos o pensamento, então recua lentamente em direção de regresso ao feudo familiar. Transposta a ponte...

Asas para voar! – por Rosana Serena

E ele nasceu preenchendo todas as expectativas familiares. Varão primeiro de uma segunda geração nasceu forte e vigoroso! Vestiu todos os sonhos dos seus. Era menino, era belo e tão moreno como lhe almejavam aos de tons branco-sanguíneos de sua família. Era tranqüilo e guloso bastava-lhe a mamadeira e seu ursinho musical pendurado em seu bercinho. Teria sido um menino quieto e calmo, mas a mãe tão presa em sua prisão particular lhe desejava personagem de aventuras tão prazerosas e libertárias quanto lhe pudesse o mundo oferecer. Para seu menino acalentar escolhera especialmente uma dentre tantas outras poesias, que em sua infância deleitadamente ouvira sua própria mãe declamar: “Não chores meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver...

Perdoe, ele não sabe o que faz! – por Rosana Serena

  Perdoe, ele não sabe o que faz! Era o apelo de um pai cujo filho já havia passado todos os limites. Um pai religioso que se inspira na máxima cristã do perdão para lançar repetidamente esse apelo para quem o filho seriamente prejudicou. O que diríamos de um pai cujo filho está sempre a errar e ele sempre a lhe perdoar? Acharíamos um verdadeiro exercício humano mais do que da paternidade, o do legítimo amor!… Mas se mais atrás retrocedêssemos e víssemos esse filho sempre a errar e o pai sempre a lhe perdoar sem que o garoto conseqüência nenhuma de seus atos tivesse que enfrentar. E se no tempo nos adiantássemos e víssemos esse filho sempre a desacatar todas as regras, do outro respeitar, e mesmo assim o pai este viesse sempre a...

O maior ato de amor – por Rosana Serena

  Recebo uma mensagem em forma de apelo desesperado. Ela perdia para doença aquele a quem tanto amava!… Havia passado horas intermináveis segurando aquelas mãos que dantes tão fortes foram! Nesse ato aflito tentava lhe segurar a vida! Essas mãos que entrelaçadas concretizavam diariamente um ato de amor intenso. Havia passado horas inconsoláveis lhe amparando os passos que dantes foram fortes e seguros. Horas incansáveis lhe buscando conforto não encontrado entre travesseiros macios. Foram horas terríveis escutando seus delicados gemidos que lhe traduziam a dor e sangravam seu coração. Nada na vida a havia preparado para isso! E ela vergava sob sua própria fraqueza e se envergonhava disso. Queria fugir, mas era preciso seguir adiante...

Menininha! – por Rosana Serena

E o que é que tinha vindo com aquela criança acontecer? Tão quieta ela era, que em um cantinho colocada não se via ela mexer. E quando assim fazia, de serem tão repetidos os sons e os gestos todos ficam sem entender. Seu lindo cabelinho, tão reto cortadinho, quase cobrira inteiramente aqueles olhinhos que em ninguém ela podia fixar. Porque é que com seus priminhos ela não se punha a brincar. E assim sempre tão sozinha estava a se isolar. E seus jovens pais tão assustados não podiam com ela se comunicar. Menina, menininha, porque é que você repete esses gestos tão estranhos sem nuca os poder parar. Menina, menininha, você que é tão lindinha o que está com você a se passar? E seus pais tão ansiosos esperavam sempre o sinal de uma evolução ver...