Nossos cadinhos!… – por Rosana Serena
Embevecido ele olha para aquele pequenino e tão magrinho, recém nascido serzinho, que de tão desgracioso chega a despertar certa ternura, pois que de fato da genética familiar ela era da mistura o bem pior. Mas ele, seu avô, em devaneios desvairados com um febril olhar azul delirante de emoção quase está a desfalecer. E lhe é tanta a comoção, que nas bordas do rico berçinho ele precisa firmemente se amparar. E com o sentimento, do mais profundo, repetidamente em voz alta ele diz sem com os outros se importar. – Minha linda princesa!… Com esta frase, estará assim assinalado para sempre o destino dessa bebezinha que de linda e princesa nada tem, mas com certeza ela terá bem cunhado no seu destino inconsciente esse ideal de...
Jasmine – por Rosana Serena
Pobre Jamine ricamente a se mostrar, nos mais nobres salões lindamente a rodopiar, e até seu nome próprio ela teve que idear! E das exigências sociais não queria se livrar e por isso teve que de sua família de origem se afastar. E era tanto o festar entre drinques e dançar que ela se sentia maravilhosamente se esgotar. Estava tão à sociedade venerar que nem sequer havia espaço para uma verdadeira família formar. E aquele seu marido cada vez mais ilicitamente a enricar. E era tanto o seu deslumbramento que nada disso parecia lhe importar. Sentia-se como uma grande dama a quem todos deviam reverenciar. Turvada pelo seu olhar à realidade a sua volta, a única que via era o centro, onde ela estava sempre a vicejar! Sua qualidade consistente era de com seus...
Maria das Dores – por Rosana Serena
Entre enjôos e mal-estares, ela sempre tinha uma outra coisa. Seu pai sem saber de teoria alguma a chamava legitimamente de Maria das Dores e tão pequena ela ainda era. Animada sempre era, mas entre vertigens e suas náuseas se lhe passou a adolescência, e seu pai ainda assim a lhe apelidar. Já mais moça muitas vezes não podia trabalhar, pois em crises de vertigens precisava se acamar, e seu pai sempre com seu apelido a lhe chamar. Mais velha, um tanto mais, começou a se assustar, pois se pôs a pensar que uma séria doença estava a lhe acompanhar. E até mesmo aos desconhecidos de suas dores estava sempre a reclamar. Já madura muito mais, foi aos médicos se consultar, mas nenhum deles lhe pode ajudar. Dentre os médicos consultados alguma coisa sempre...
Meu soldadinho de chumbo – por Rosana Serena
E ele punha o menino no cangote e se punha a pular, e giravam num giro louco e se punham ruidosamente a gargalhar. Era tão forte a imagem perfeita de um filho e seu pai, que todos se punham a emocionar. Duas crianças em perfeita harmonia a girar e a brincar! O soldadinho de chumbo é um tradicional e antigo brinquedo infantil para meninos, e é assim que se mostra nesta brincadeira, entre seu pai e seu filho, nesses giros loucos em torno deste eixo esta relação rolar. Poderia se esperar mais de um pai? Para além desses folguedos onde estava então sua presença responsável na vida desse menino? Onde estaria o seu compromisso de garantir ao filho sua subsistência? Onde ficara seu dever de garantir ao filho bons colégios e educação? Onde ficara a...
Pollyana – por Rosana Serena
Nunca em tantos anos a ouvira dizer que algo lhe ia mal. Vive feliz e saltitante sem que esse ritmo ela nunca perca. Se briga com alguém, diz que foi melhor acabar assim com uma falsa amizade, e por isso está contente! Se um filho seriamente adoece, diz que poderia ter sido muito pior, e por isso está contente! Se o emprego ela perde, diz que mesmo assim perdendo muita coisa, isto é bom, pois agora pode descansar e por isso está contente! Se lhe morre um ser querido diz que foram bons os anos de convívio, e por isso está contente! Se os problemas se acumulam em acontecimentos desastrosos ela diz animadamente, que isso é vida, e por isso está contente! Sua própria doença ela encara muito bem, pois diz que é bem tratável e por isso está...
Borboletas no jardim – por Rosana Serena
É sempre extremamente agradável e simpática a todos. Os convites surgem aos borbotões, seu colorido temperamento sempre acrescenta às festas um tom especial. Mas ela sempre pensa, para que me serve isto! Nada mais tem sentido! Mas entre o batom vermelho-vivo caprichosamente passado à boca e o pensamento, ela atravessa a porta rapidamente em direção ao convite. Cheirosa e bonita ela chega sempre emprestando seu brilho ao lugar. Sua melhor qualidade é que com seu jeito despojado, irrequieto quase ao inadequado ela aquece corações. Sua saída sempre deixa um vácuo e todos se sentem um pouco abandonados. E ela vem e vai o tempo todo, sempre emprestando aos lugares seus matizes fulgurantes. Mas ela sempre pensa: Para quê? É tudo tão sem sentido! Onde...